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A Origem Bizarra de Expressões Populares

Atualizado: 17 de jun. de 2025

Você já disse que algo “acabou em pizza”? Ou que alguém “ficou a ver navios”? O que pouca gente sabe é que essas expressões, tão comuns no nosso dia a dia, têm origens muito mais estranhas (ou sombrias) do que imaginamos.

Foto/dir.md
Foto/dir.md

Neste artigo, vamos explorar a história por trás de expressões populares brasileiras que parecem inofensivas, mas têm origens ligadas à política, tortura, mortes e outros causos curiosos da nossa história.


 1. Acabar em pizza

  • Hoje: Significa que tudo termina sem punição, especialmente em escândalos políticos.

  • Origem: Surgiu no futebol paulista nos anos 1960. Após uma reunião tensa entre dirigentes, todos terminaram a noite comendo pizza, sem resolver nada. O jornalista Milton Peruzzi eternizou a frase:“A reunião terminou em pizza.”


2. Ficar a ver navios

  • Hoje: Ficar esperando por algo que nunca acontece.

  • Origem: Ligada ao ex-imperador Dom Sebastião, de Portugal, que desapareceu em batalha. Muitos portugueses esperavam sua volta, olhando para o mar de Lisboa, vendo apenas navios e nunca o imperador. Essa espera virou símbolo de frustração coletiva, desilusão e quase “fanatismo místico”, já que envolvia crença em milagres.


3. Para inglês ver

  • Hoje: Algo feito só de fachada.

  • Origem: No século XIX, o Brasil fingia abolir o tráfico de escravos para agradar os ingleses, que pressionavam pela abolição. Leis eram criadas “só para inglês ver”, sem efeito prático.


4. Deixar a peteca cair

  • Hoje: Falhar em algo, perder o ritmo.

  • Origem: A “peteca” era um brinquedo indígena usado em rituais e jogos. Durante esses jogos, quem deixava a peteca cair mostrava fraqueza ou descuido — um fracasso simbólico.


5. Com o pé atrás

  • Hoje: Estar desconfiado ou em alerta.

  • Origem: Vem do mundo da esgrima e da dança. Ao manter um pé atrás, a pessoa se preparava para recuar ou se defender rapidamente, em caso de ataque ou traição.


6. Descascar o abacaxi

  • Hoje: Resolver um problema difícil.

  • Origem: O abacaxi, apesar de delicioso, é espinhoso, duro e complicado de descascar. A metáfora é clara: lidar com problemas trabalhosos é como encarar a fruta sem faca.


7. Lavagem de roupa suja

  • Hoje: Resolver brigas pessoais em público.

  • Origem: Na Europa medieval, era comum famílias lavarem roupas juntas nos rios. Discutiam ali mesmo, na frente de todos, expondo seus problemas íntimos “em público”.


8. Encher linguiça

  • Hoje: Falar ou escrever para “encher espaço” sem conteúdo relevante.

  • Origem: Antigamente, carne era cara e linguiça era “esticada” com farinha, miúdos ou até coisas menos nobres. A expressão virou sinônimo de encher com qualquer coisa, só pra render.


9. “Pagar o pato”

  • Hoje: Arcar com a culpa ou consequência por algo que não fez.

  • Origem: Na Idade Média, vendedores de rua aplicavam golpes com truques de mágica, vendendo “patos mágicos” que obviamente não funcionavam. Quando a farsa era descoberta, o comprador lesado era ridicularizado, ou seja, “pagava o pato” por ter caído no golpe.


10. “Casa da mãe Joana”

  • Hoje: Lugar bagunçado, sem regras.

  • Origem: Referência a Joana I de Nápoles, que permitiu a abertura de prostíbulos legalizados em Avignon, França, no século XIV. Esses lugares eram malvistos e frequentemente associados a bruxaria, promiscuidade e desordem. A expressão carrega esse peso histórico de um local “onde tudo vale”.


11. “Com a corda no pescoço”

  • Hoje: Estar em situação de grande pressão ou perigo.

  • Origem: Referência direta à forca, método de execução muito comum até o século XIX. Quem estava “com a corda no pescoço” era literalmente um condenado à morte — ou simbolicamente, prestes a “perder tudo”.


12. “A coisa tá preta”

  • Hoje: Situação complicada, difícil.

  • Origem: Associada ao período da escravidão no Brasil. “A coisa tá preta” se referia à chegada de senhores de escravos ou a situações em que negros eram punidos ou açoitados. Hoje é considerada uma expressão racista, mesmo usada inconscientemente, por essa associação histórica.


13. “Fechar o corpo”

  • Hoje: Fazer um ritual de proteção espiritual.

  • Origem: Vem das religiões afro-brasileiras e do espiritismo. Envolve magia ou feitiçaria protetiva, feita para tornar a pessoa “invulnerável” a malefícios, armas ou feitiços. Está ligada a rituais sérios, muitas vezes com fundamentos religiosos profundos.


14. “Estar com o rei na barriga”

  • Hoje: Pessoa arrogante, que se acha superior.

  • Origem: Vem da época em que rainhas grávidas eram tratadas como nobres supremos, pois carregavam herdeiros reais. Também há registros de uso popular entre parteiras e curandeiros, que diziam que crianças "de alma superior" causavam mais enjoos e dores, associando isso a doenças ou possessões.


15. “Dar com os burros n’água”

  • Significado hoje: Fracassar em um plano.

  • Origem: Os tropeiros que atravessavam o interior do Brasil com burros de carga enfrentavam grandes riscos. Quando o animal caía em um rio ou atoleiro, significava prejuízo, castigo da natureza ou até perda total da carga, uma espécie de tragédia para o viajante.


16. “Morrer na praia”

  • Significado hoje: Quase conseguir algo, mas falhar no final.

  • Origem: Ligada a náufragos que conseguiam escapar de um naufrágio, nadavam até perto da costa, mas morriam antes de chegar à praia, por exaustão ou doença. Simboliza frustração trágica.


17. “Passar o cerol” (em alguém)

  • Significado hoje: Prejudicar alguém discretamente.

  • Origem: Cerol é uma mistura cortante (geralmente vidro moído com cola) aplicada em linhas de pipa para ferir ou cortar a linha do oponente. A expressão ganhou tom sombrio por estar ligada a ferimentos sérios, inclusive acidentes fatais, especialmente quando usado contra motociclistas.


Essas expressões mostram como a língua é viva, histórica e cheia de camadas ocultas. Muitas vezes, repetimos frases sem imaginar que estão carregadas de passado, às vezes cômico, outras vezes bem sombrio.


As informações desta matéria foram reunidas a partir de pesquisas em fontes históricas, dicionários etimológicos e estudos sobre o folclore e a cultura popular brasileira.


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