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A Besta de Gévaudan: o Terror Misterioso que Assombrou a França do Século XVIII

A fera que aterrorizou a França do século XVIII e até hoje desafia a ciência e o folclore.

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Entre os anos de 1764 e 1767, uma série de ataques brutais assolou a região de Gévaudan, no sul da França, deixando um rastro de sangue e medo. As vítimas, em sua maioria mulheres e crianças, eram encontradas com marcas de violência extrema, degoladas, parcialmente devoradas ou com o corpo desfigurado. O responsável? Uma criatura que os aldeões chamavam de "La Bête" , A Besta.


Descrita como um animal monstruoso, com aparência de lobo, mas muito maior e mais ágil, a Besta de Gévaudan se tornou uma lenda viva. Centenas de pessoas testemunharam sua existência, e relatos oficiais registraram mais de 100 mortes atribuídas à criatura. Até hoje, o mistério permanece: o que era a Besta? Um lobo gigante? Um leão? Um assassino usando uma fantasia? Ou algo sobrenatural?


Relatos Horripilantes: O Surgimento da Besta

O primeiro ataque documentado ocorreu em junho de 1764, quando uma jovem camponesa foi brutalmente assassinada enquanto cuidava do gado. Em pouco tempo, novos ataques surgiram. As descrições vinham de diferentes vilarejos, mas os detalhes batiam:


  • A criatura tinha o tamanho de um bezerro ou cavalo pequeno.

  • Seu corpo era coberto por pelos espessos e escuros, com uma listra clara no dorso.

  • Sua cabeça era semelhante à de um cão ou felino, com orelhas pontudas, mandíbulas largas e olhos flamejantes.

  • Movia-se com velocidade anormal, e parecia imune a balas e armadilhas.


Testemunhas sobreviventes relatavam que a Besta agia com inteligência incomum: atacava sozinha, escolhia alvos vulneráveis e, em alguns casos, parecia evitar caçadores armados.


Um dos casos mais famosos é o da jovem Marie-Jeanne Valet, que em 1765, armada apenas com uma lança, conseguiu ferir a Besta e afugentá-la, ganhando o apelido de "Donzela de Gévaudan". Seu ato de bravura virou símbolo da resistência dos moradores contra o monstro.

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A Caçada Real e o Fim da Besta

A comoção foi tamanha que o próprio Rei Luís XV enviou caçadores reais para dar fim ao terror. Lobos foram mortos e exibidos como a suposta Besta, mas os ataques continuaram, o que aumentou as suspeitas de que algo mais sinistro estava acontecendo.

Somente em junho de 1767, um caçador local chamado Jean Chastel matou uma criatura misteriosa durante uma caçada organizada. O animal, diferente de um lobo comum, teria sido dissecado e mostrado traços incomuns. Depois desse episódio, os ataques cessaram, mas o mistério nunca foi resolvido.


Teorias e Explicações Possíveis

Até hoje, estudiosos, historiadores e criptozoologistas especulam o que realmente era a Besta:


  • Um lobo gigante ou híbrido com cachorro? (Possível, dada a fauna local, mas não explicaria a resistência a tiros ou o comportamento calculista.)

  • Um leão ou animal exótico escapado de um zoológico? (Alguns sugerem que um nobre local criava animais selvagens.)

  • Um assassino humano vestido como criatura? (Há teorias de psicopatas usando o mito como disfarce para crimes.)

  • Fenômeno sobrenatural ou histeria coletiva? (Considerando o contexto religioso e supersticioso da época, essa hipótese também é levada em conta.)


A teoria: Jean Chastel e a farsa da bala de prata

O segundo caçador que alegadamente matou a Besta em 1767 foi Jean Chastel, um camponês e caçador local. Segundo a versão popular, ele atirou com uma bala de prata benzida, que finalmente matou a criatura após três anos de ataques.

Mas essa história levantou suspeitas. Por quê?


Os principais argumentos dessa teoria:

  1. A bala de prata pode ter sido simbólica. É improvável, do ponto de vista balístico, que uma bala de prata artesanal funcionasse tão bem quanto uma de chumbo. Isso levanta a hipótese de que a bala tenha sido apenas parte de um mito religioso ou folclórico, não um fator real no abate do animal.

  2. O animal estava “calmo demais” no momento do tiro. Relatos contam que a besta “ficou parada olhando para Chastel”, o que é estranho para um predador selvagem em uma situação de confronto. Isso gerou a ideia de que a criatura poderia ter sido domesticada.

  3. Jean Chastel teria criado ou adestrado o animal. Alguns estudiosos sugerem que Chastel poderia ter criado um cão-lobo ou um animal exótico treinado para atacar. Como ele tinha conhecimento da região e era descrito como excêntrico, isso não seria impossível.

  4. A motivação: fama, dinheiro e perdão. Jean Chastel teria enfrentado problemas legais no passado. Matar “a besta” com uma bala milagrosa o transformou em herói local e o redimiu diante das autoridades e da Igreja. Essa reviravolta é suspeita para quem acredita na hipótese de encenação.


Não há provas definitivas de que Chastel usou um animal treinado. A teoria se baseia em inconsistências nos relatos da época, no comportamento incomum da "besta" no momento do tiro, e na aura mitológica em torno da bala de prata, um símbolo associado a lobisomens.


No entanto, também não há explicação 100% comprovada para a origem da criatura. O cadáver abatido por Chastel desapareceu misteriosamente depois de ser enterrado (ou ocultado), o que reforça o mistério e alimenta essa e outras teorias.


O caso da Besta de Gévaudan permanece como um dos maiores mistérios da França pré-revolucionária. Com uma mistura de fatos documentados, relatos populares e teorias bizarras, essa história sobrevive há mais de 250 anos.


Seja qual for a verdade, a lenda da Besta continua a inspirar


livros (ex: “La Bête”, de Catherine Hermary-Vieille, 2014),


filme, (“O Pacto dos Lobos”)


Documentário do History Channel aponta para farsa de Chastel


e outros documentários disponíveis no youtube, mantendo viva a mística da Besta até hoje.


Talvez, no fim das contas, o maior poder da Besta de Gévaudan seja justamente o de despertar nosso medo do desconhecido, um terror que, como ela, nunca morre completamente.


Fonte: Wikipédia e Aventuras na história


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